No mundo da educação pública, não existe qualidade de ensino sem valorização profissional. Essa é uma verdade simples, repetida há décadas, mas que ainda encontra resistência quando chega a hora das decisões políticas.
Os trabalhadores e trabalhadoras da educação básica sabem bem disso. São professores, professoras, funcionários e funcionárias de escola que mantêm o funcionamento das unidades escolares todos os dias, enfrentando desafios estruturais, sobrecarga de trabalho e, muitas vezes, falta de reconhecimento.
No Piauí, uma das principais expressões desse desrespeito é o retrocesso no Plano de Cargos, Carreira e Salários. O que deveria ser um instrumento de valorização e de estímulo ao desenvolvimento profissional vem sendo, ao longo dos anos, desfigurado, esvaziado e desrespeitado.
O resultado é um Plano de Carreira cada vez mais defasado, que não garante progressões justas, não reconhece adequadamente a formação e não assegura perspectivas dignas para quem dedicou a vida à educação pública. E aqui é preciso dizer com todas as letras: isso não acontece por acaso.
Quando um governo não prioriza a atualização do Plano de Carreira, quando posterga debates, quando evita dialogar de forma efetiva com a categoria, estamos diante de um problema claro: falta de vontade política.
Valorizar a educação não pode ser apenas discurso em campanha ou slogan em propaganda institucional. Valorizar significa garantir salário digno, carreira estruturada, respeito aos direitos e condições de trabalho adequadas.
Os trabalhadores da educação do Piauí não pedem privilégio. exigem justiça. Por isso, é urgente que o governo do estado apresente uma proposta concreta de reformulação do Plano de Cargos, Carreira e Salários, corrigindo distorções acumuladas ao longo dos anos e garantindo um futuro mais justo para a categoria.
E neste momento, ao nos aproximarmos do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, essa reflexão se torna ainda mais necessária.
Na rede estadual de educação do Piauí, as mulheres são maioria. são elas que ocupam grande parte das salas de aula, das secretarias escolares, das bibliotecas, da merenda, da limpeza, da gestão pedagógica. são mulheres que educam, que cuidam, que constroem diariamente o futuro do nosso estado.
Mas também são mulheres que enfrentam jornadas múltiplas, desigualdades históricas e, muitas vezes, a falta de reconhecimento pelo trabalho essencial que realizam.
Por isso, neste espaço, deixamos nossa homenagem às mulheres trabalhadoras da educação. mulheres que fazem da escola um lugar de transformação social, de resistência e de esperança.
Celebrar o 8 de março é reconhecer sua força, mas também reafirmar uma luta: sem valorização das mulheres trabalhadoras da educação, não existe valorização da educação pública.
Que esta data sirva também como chamado à responsabilidade dos gestores públicos.
A educação precisa ser prioridade de verdade e isso começa com respeito, diálogo e valorização de quem faz a escola acontecer todos os dias.
Reformular o Plano de Carreira não é favor, é dever do estado. E os trabalhadores e trabalhadoras da educação seguirão organizados, mobilizados e atentos. Porque onde há consciência de direitos, também há disposição para lutar por eles.
Entrevista da presidente do SINTE-PI, Paulina Almeida:


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