Na manhã deste domingo (8), a Praça Pedro II, no Centro de Teresina, foi ocupada pela força das vozes femininas e pela resistência dos movimentos sociais e sindicais. O SINTE-PI esteve presente no Ato Unificado em celebração ao Dia Internacional de Luta das Mulheres, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das trabalhadoras da educação e de todas as mulheres.
O ato reuniu diversos segmentos da sociedade civil organizada, que denunciaram as múltiplas formas de violência de gênero e exigiram políticas públicas efetivas para enfrentar o feminicídio. O Piauí, lamentavelmente, figura entre os estados com maior número de casos, realidade que escancara a urgência da luta. A memória da estudante Janaina Bezerra, brutalmente atacada, violentada e assassinada há três anos, sua mãe participou do Ato Unificado, foi evocada como símbolo da dor e da indignação que não podem ser silenciadas.
Feminicídio: uma chaga social que exige enfrentamento
A manifestação destacou que o feminicídio não é um crime isolado, mas resultado de uma estrutura patriarcal que insiste em negar às mulheres o direito de viver plenamente. Cada vida ceifada é um alerta de que o Estado precisa assumir sua responsabilidade na prevenção, proteção e punição. O SINTE-PI, sindicato formado majoritariamente por mulheres de luta e coragem, reafirma que não há democracia possível enquanto persistirem as mortes de mulheres pelo simples fato de serem mulheres.
Pautas de resistência e dignidade
Além da denúncia contra a violência doméstica e o feminicídio, o ato também levantou bandeiras trabalhistas, como o fim da jornada extenuante de 6x1, que precariza a vida das trabalhadoras e trabalhadores, e a defesa por melhores condições de trabalho. A luta das mulheres é, portanto, inseparável da luta por justiça social e pela valorização da educação pública.
Mobilização nos Núcleos Regionais do SINTE-PI
Os Núcleos Regionais do SINTE-PI realizaram atividades em alusão à data, fortalecendo a presença do sindicato em todo o estado e reafirmando sua identidade combativa. À tarde, na sede social, o sindicato promoveu uma atividade especial em homenagem às mulheres, celebrando não apenas suas conquistas, mas também sua resistência cotidiana contra todas as formas de opressão.
O Dia Internacional de Luta das Mulheres não é uma celebração festiva, mas um chamado à ação. O SINTE-PI se soma às vozes que exigem o fim da violência de gênero, o respeito à vida das mulheres e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A luta das mulheres é a luta de todos e todas, e não haverá descanso enquanto o feminicídio continuar a manchar de sangue a história do Piauí e do Brasil.
O Grito Por Justiça que o Piauí Não Pode Esquecer
Há três anos o silêncio que ecoou pelos corredores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) ainda fere a nossa consciência coletiva. Hoje, o SINTE-PI une sua voz à de familiares, amigos e movimentos sociais para recordar Janaína Bezerra da Silva. Não apenas como uma vítima da brutalidade, mas como a jovem estudante de Jornalismo cujos sonhos foram interrompidos por um sistema que ainda falha em proteger as mulheres.
Janaína não foi apenas um "caso de polícia". Ela era o rosto da esperança de milhares de jovens piauienses que enxergam na educação pública o caminho para a transformação. Seu assassinato e o estupro sofrido dentro de uma sala de aula de uma instituição federal expuseram feridas abertas em nossa sociedade: o machismo estrutural e a vulnerabilidade dos nossos espaços públicos.
Para nós, trabalhadoras da educação, a morte de Janaína é um lembrete doloroso de que a luta pedagógica não se encerra no quadro negro. Ela passa, necessariamente, pelo combate incessante ao feminicídio e pela exigência de políticas de segurança que garantam que nenhuma mulher, sinta medo simplesmente por ser mulher. Que o "Memorial Janaína Bezerra" na UFPI e as homenagens em todo o Brasil não sejam apenas placas de metal, mas símbolos de resistência contra a normalização da violência de gênero.
Reafirmamos nosso compromisso sindical com uma educação que desconstrua preconceitos desde a base.
Janaína Bezerra, presente! Hoje e sempre. Sua voz agora é o nosso grito por um Piauí sem feminicídio.
Veja fotos e vídeos em:
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