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PRIVATIZAÇÃO

Dossiê faz raio-x do "Future-se" e mostra por que Universidades rejeitaram o projeto

Documento produzido por grupo de pesquisa da UFBA analisa implicações de projeto de Bolsonaro para Universidade pública

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Com mais de 500 páginas, um dossiê produzido pelo Grupo de pesquisa Trabalho, Precarização e Resistências da Universidade Federal da Bahia (UFBA) apresenta um diagnóstico minucioso do projeto “Future-se”, apresentado por Abraham Weintraub, ministro da Educação, como solução para o financiamento do ensino superior brasileiro.

Divulgada esta semana, a nova edição do documento “Dossiê do programa ‘Future-se’ e as implicações para a universidade e sociedade” reúne artigos e pronunciamentos oficiais de universidades, assim como de entidades relevantes da área – como a Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), instituições sindicais de docentes e estudantes.

Segundo Graça Druck, professora titular da Faculdade de Filosofia e Ciência Humanas da UFBA e pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades, o grupo de trabalho responsável pelo dossiê realizou um seminário para discutir o programa logo após a apresentação da minuta do "Future-se" pelo MEC aos reitores no dia 17 de julho. 

A primeira edição do material foi publicada em agosto e outras duas atualizações em outubro e novembro, baseadas na segunda versão da minuta do Projeto de Lei, apresentada pelo governo em meados do mês passado.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Druck analisa os pontos mais alarmantes do projeto defendido por Weintraub. Ela ressalta que a universidade pública, gratuita e "socialmente referenciada", está sob ataque. 

“O ‘Future-se’ vem com uma proposta de buscar recursos próprios, fora do orçamento do Estado. De que forma? Renunciando à autonomia garantida pela Constituição, já que as universidades deveriam se subordinar aos interesses privados, terceirizando a gestão, através das organizações sociais e fundações, e securitizando o patrimônio público das universidades”, resume. 

“É um primeiro passo para que o Estado se desobrigue do financiamento público da educação superior, além de transferir o patrimônio público das universidades para as OSs e fundações”, diagnostica a pesquisadora. 

De acordo com ela, o dossiê registra uma enorme rejeição ao projeto por parte das universidades: 55% das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), que reúnem 82% do total de estudantes de graduação, disseram não ao programa.

Fonte: Lu Sudré e Rodrigo Chagas/ Brasil de Fato

 

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