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Julho das Pretas: Seguimos em marcha e em luta por reparação e bem viver!

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O mês de julho é marcado pela força, pela resistência e pela mobilização das mulheres negras em todo o Brasil e na América Latina. Em 2026, chega à sua 14ª edição o Julho das Pretas, ação política e formativa criada pelo Odara, Instituto da Mulher Negra, Neste ano traz como tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”.

São 675 atividades organizadas por 292 coletivos, em 23 estados, no Distrito Federal e também em articulação internacional. O Julho das Pretas não é apenas um calendário de eventos: é uma estratégia de luta que dá continuidade à Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em novembro de 2025, e que reafirma a centralidade da pauta antirracista e antissexista na construção de uma sociedade justa.

Este 25 de julho marca os 34 anos de mobilização internacional das mulheres negras da América Latina e Caribe. A data nasceu em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, realizado na República Dominicana, e desde então se consolidou como um marco de denúncia contra o racismo estrutural, o sexismo e a violência que atravessam a vida das mulheres negras.

A articulação internacional é uma ferramenta poderosa contra a opressão do sistema capitalista, que insiste em marginalizar mulheres afrodescendentes. Ainda hoje, as pessoas mais afetadas pela pobreza, pela informalidade e pela sobrecarga do trabalho de cuidado não remunerado. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe - Cepal, uma das cinco comissões regionais das Nações Unidas, mostram que as mulheres negras recebem os salários mais baixos da região, mesmo quando possuem o mesmo nível educacional que homens e mulheres não negras.

No Brasil, o 25 de julho também celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído em homenagem à líder quilombola que comandou o Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, no século XVIII. Tereza de Benguela resistiu por décadas às investidas coloniais, organizando sua comunidade com sistemas próprios de decisão coletiva, agricultura, comércio e defesa.

Sua trajetória é símbolo da luta das mulheres negras contra a escravidão e a opressão, e inspira gerações a ocupar espaços de poder e decisão. Ao lado de referências como Lélia Gonzalez, que formulou o conceito de “amefricanidade” e denunciou as intersecções entre racismo, sexismo e desigualdade de classe, Tereza de Benguela nos lembra que a história da resistência negra é também a história da construção de um Brasil mais democrático.

O Julho das Pretas, o Dia Internacional da Mulher Negra e o Dia Nacional de Tereza de Benguela não são apenas datas comemorativas. São convocatórias políticas. São momentos de reafirmação da luta contra o racismo estrutural, o patriarcado e todas as formas de exploração que atingem de maneira mais cruel as mulheres negras.

É hora de intensificar a participação das mulheres negras na política, nos sindicatos, nos espaços de decisão. É hora de transformar denúncia em ação, invisibilidade em protagonismo, dor em reparação.

O SINTE-PI integra essa mobilização, reafirmando que não haverá democracia plena sem justiça racial e de gênero. O bem viver que reivindicamos é coletivo, e só será possível quando as mulheres negras estiverem no centro das políticas públicas e da vida social.

 

 

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