Trabalhadores e trabalhadoras de todo o país ocuparam, nesta quarta-feira (15), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para pressionar por melhores condições de trabalho e defesa de direitos
Na Marcha da Classe Trabalhadora, organizada pela CUT, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e suas entidades filiadas levaram às ruas a pauta da valorização profissional, do fortalecimento da educação pública e do enfrentamento a medidas que afetam a renda e a qualidade de vida da classe trabalhadora.
“Nós somos trabalhadores/as de educação e estamos nessa Marcha da Central defendendo o fim da escala 6 por 1, do confisco dos aposentados, a aprovação do PL 2531 e a defesa da educação pública nesse país, com valorização dos seus profissionais”, declarou a presidenta da CNTE, Fátima Silva.
Os guarda-chuvas verdes da CNTE, distribuídos a todos os dirigentes, se misturaram ao mar de cartazes e bandeiras dos sindicatos. Por todos os lados a classe trabalhadora erguia com orgulho os símbolos de disputa por uma sociedade mais justa e pelo fim do feminicídio. Professores, funcionários da educação, bancários, metalúrgicos, petroleiros e entregadores por aplicativo reivindicaram mais qualidade de vida dentro e fora do serviço.
No trio elétrico da CNTE, representantes dos sindicatos filiados falaram sobre as lutas da categoria nos seus estados. O enfrentamento à plataformização da educação e à pejotização na esfera privada é uma reivindicação comum em todas as regiões do país. Manifestantes também defenderam a soberania nacional e a democracia.
Semana da Educação
A mobilização por um ensino de qualidade na Marcha da Classe Trabalhadora é parte da 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, promovida pela CNTE, realizada de 13 a 17 de abril.
Vozes da base
“Lutar por melhores condições de vida, pelo direito dos aposentados é a nossa vida e nosso dia a dia”, expressa Ana Maria Rozendo Bertoldo (Sinteal-AL), professora aposentada que participa da Marcha desde 1987.
Descontos mais justos no contra-cheque dos aposentados foi uma das razões para a participação de Maria Antônia Martins dos Santos (Sintep-MT). “Quando eu comecei minha carreira, diziam para nós: ‘esse recurso que é descontado do seu salário para previdência é para quando você se aposentar, você ter direito a um salário melhor’. Eu me aposentei e se desconta como se eu estivesse começando”, critica.
“O Sind-UTE está presente exigindo escola pública de qualidade para todos, sem vender nossa educação para os empresários. A escola é de todos e para todos”, disse a professora Valéria da Costa Florentino (Sind-UTE-MG), que esteve pela primeira vez na marcha graças ao tempo livre que conseguiu após o crescimento das filhas.
A participação de toda a classe é um fator essencial para a conquista de direitos, afirma Daniel Nizer (Sinte-SC): “É muito importante que todo trabalhador, trabalhadora e servidor público se una à Marcha e venha lutar com a gente”.
Kelson Luiz Cardoso (Sinsepeap-AP) considera a data um dia único, já que a Marcha se deu um dia depois da aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). “A CNTE mobilizou nos sindicatos a importância dos professores lutarem hoje pelo piso salarial, pela valorização da educação e pelo PNE. É um momento histórico por conta da nossa organização”, pontua.
Conclat
A Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) precedeu a Marcha, na manhã desta quarta-feira. Dirigentes das centrais sindicais e parlamentares participaram do encontro que aprovou a pauta da classe trabalhadora para 2026. O documento atualiza as pautas definidas em 2022 e serve como orientador para as eleições de 2026.
São mais de 60 reivindicações voltadas à ampliação de direitos, à valorização do trabalho e à promoção da justiça social. Entre os principais pontos estão a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o fim da escala 6x1, o combate ao feminicídio e à pejotização, o fortalecimento das negociações coletivas, a garantia do direito de negociação para os servidores públicos e a regulamentação do trabalho por aplicativos.
Veja mais sobre o Conclat clicando neste link.


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