O AGREGADO E O OPERÁRIO
(PATATIVA DO ASSARÉ)
Sou matuto do nordeste
criado dentro da mata
caboclo cabra da peste
poeta cabeça chata
por ser poeta roceiro
eu sempre fui companheiro
da dor, da mágoa e do pranto
por isto, por minha vez
vou falar para vocês
o que é que eu sou e o que canto.
Sou poeta agricultor
do interior do Ceará
a desdita, o pranto e a dor
canto aqui e canto acolá
sou amigo do operário
que ganha um pobre salário
e do mendigo indigente
e canto com emoção
o meu querido sertão
e a vida de sua gente.
procurando resolver
um espinhoso problema
eu procure defender
no meu modesto poema
que a santa verdade encerra
os camponeses sem terra
que o céu deste brasil cobre
e as famílias da cidade
que sofrem necessidade
morando no bairro pobre.
vão no mesmo itinerário
sofrendo a mesma opressão
nas cidades, o operário
e o camponês no sertão
embora um do outro ausente
o que um sente o outro sente
se queimam na mesma brasa
e vivem na mesma guerra
os agregados sem terra
e os operários sem casa.
operário da cidade
se você sofre bastante
a mesma necessidade
sofre o seu irmão distante
levando vida grosseira
sem direito de carteira
seu fracasso continua
é grande martírio aquele
a sua sorte é a dele
e a sorte dele é a sua.
disto eu já vivo ciente
se na cidade o operário
trabalha constantemente
por um pequeno salário
lá nos campos o agregado
se encontra subordinado
sob o jugo do patrão
padecendo vida amarga
tal qual burro de carga
debaixo da sujeição.
camponeses meus irmãos
e operários da cidade
é preciso dar as mãos
cheios de fraternidade
em favor de cada um
formar um corpo comum
praciano e camponês
pois só com esta aliança
a estrela da bonança
brilhará para vocês.
uns com os outros se entendendo
esclarecendo as razões
e todos juntos fazendo
suas reivindicações
por uma democracia
de direito e garantia
lutando de mais a mais
são estes os belos planos
pois nos direitos humanos
nós todos somos iguais.
Antônio Gonçalves da Silva, o “Patativa do Assaré”, estaria completando hoje 113 anos. poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro, entrou para a história como um dos maiores nomes da poesia nordestina.
Nem todas as homenagens do mundo seriam suficientes para demonstrar a importância de sua arte, reconhecida internacionalmente. sua obra conta a vida do povo sertanejo, suas dores e lutas, através das palavras do homem simples da roça.
No dia 8 de outubro, comemoramos o “DIA DO NORDESTINO” em homenagem a este expoente da cultura nacional. a data é propícia para que nós, nordestinos, repudiemos a postura xenofóbica que tem permeado as mídias sociais há alguns dias e reafirmemos o valor da nossa história, valores, economia, cultura e sociedade.
A maioria dos brasileiros condena este delírio fascista que, a partir do racismo e da xenofobia, nos desrespeita e ataca.
O preconceito é crime e como tal deve ser combatido. normalizar o crime, banalizar o mal, o ódio contra mulheres, negros, transexuais, nordestinos, indígenas ou outras minorias, nos afastará do caminho da democracia e da justiça social.
Nos orgulhamos da nossa luta pela democracia e pela vida, continuamos na linha de frente em defesa da construção coletiva de uma sociedade mais justa.
Nesta perspectiva, já nos reposicionamos na trincheira contra a ameaça do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL), de retomar a votação da reforma administrativa - Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020 na próxima semana, em mais uma tentativa de reduzir salários e privatizar o serviço público.
Neste cenário, ao saudar com muito orgulho o DIA DO NORDESTINO, o SINTE PIAUÍ, sempre na luta pelos direitos da classe trabalhadora e contra todo e qualquer tipo de preconceito, repudia com veemência os ataques e retrocessos contra a classe trabalhadora.


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