“É melhor morrer na luta do que morrer de fome.”
(Margarida Maria Alves)
Nesta segunda-feira (6), a cidade de Teresina amanheceu florida por mulheres de distintas idades e origens, de diferentes etnias, todas regadas pelo suor do seu trabalho e da luta pela vida, por democracia, autonomia e igualdade, que vieram para a 6º Marcha Estadual das Margaridas.
Esta Marcha das Margaridas, que antecede a nacional, é formada, pincipalmente, pelas mulheres trabalhadoras rurais do Piauí. Realizada pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores (as) Familiares do Estado do Piauí (FETAG-PI) em parceria com os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e apoio dos Movimentos Sociais e Sindicais do campo e da cidade, começou com a concentração de milhares de mulheres desde o início da manhã na Praça Francisca Trindade.
Caravanas chegando com mulheres de várias cidades e movimentos sociais, envolvendo agricultoras, indígenas, trabalhadoras em Educação e quilombolas, por exemplo. Unidas no grito contra a MP 871, a reforma da Previdência e o feminicídio, deixando claro que tem o seu valor e que organizadas, são protagonistas no cenário social.
Após o ato na Praça Francisca Trindade, com manifestações de lideranças dos movimentos sociais e autoridades, como o governador e a vice-governadora do estado, as Margaridas marcharam pela Avenida Frei Serafim se dirigindo para a Assembléia Legislativa do Piauí (Alepi) para participar de uma Audiência Pública contra a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro.
Segundo a diretora da Secretaria da Mulher do Sinte-PI, Antônia Ribeiro, “Estamos cada vez mais fortes no enfrentamento ao atual contexto político brasileiro. A nossa luta, é por uma sociedade mais justa, democrática, que garanta os direitos da classe trabalhadora, sobretudo das ruralistas e das trabalhadoras em educação pública, as mais prejudicadas com a Reforma da Previdência”.
A Marcha das Margaridas deixa evidente a organização das mulheres no enfrentamento aos governos neoliberais que criminalizam e tornam as mulheres invisíveis, desenvolvendo estratégias de empoderamento e de emancipação.
O caminho das Margaridas
“Nós que vêm sempre suando, este país alimentando, tamos aqui para
relembrar: este País tem que mudar”.
(Trecho da música oficial – Marcha das Margaridas)
A Marcha das Margaridas acontece desde o ano de 2000, sempre na perspectiva defender o acesso à terra, valorizar a agricultura familiar e a agroecologia, brigar por uma educação que não discrimine as mulheres, lutar pelo fim da violência sexista, pelo acesso à saúde, segurança e respeito, exigindo autonomia econômica, trabalho, renda, democracia e participação política.
A escolha do nome Marcha das Margaridas e da data é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Grande, na Paraíba. Ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983, a mando de latifundiários daquela região.
Por mais de dez anos à frente do sindicato, Margarida lutou pelo fim da violência no campo e por direitos trabalhistas como respeito aos horários de trabalho, carteira assinada, 13º salário, férias remuneradas. Margarida dizia que “É melhor morrer na luta do que morrer de fome.”


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