Na noite dessa segunda-feira (25), a reforma do Ensino Médio foi debatida pelo professor de políticas educacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC), Fernando Cássio. Ele integra a Rede Escola Pública e Universidade (REPU) e o comitê diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A mediação ficou por conta de Guelda Andrade, Secretária de Assuntos Educacionais da CNTE.
De acordo com o professor, o "novo" Ensino Médio é um nome de propaganda. Ele lembrou o contexto em que o texto foi aprovado, por meio da Lei 13.415, oriunda da medida provisória 746/16, legado do governo Michel Temer.
"A medida provisória 746 é um instrumento jurídico político absurdo e inaceitável para ser utilizado para aprovar uma reforma dessa profundidade", avalia. Para ele, passou o momento da denúncia, ao se dizer que o texto aprofunda as desigualdades sociais no país: "isso é um crime, é uma tragédia social", afirma.
A lei foi aprovada na sequência da Emenda Constitucional nº 95, também conhecida como "PEC da Morte", que congelou os investimentos da União em políticas sociais – inclusive na educação – por 20 anos.
Fernando Cássio comentou sobre o que ocorre no estado do Paraná, em que os estudantes de ensino médio estão fazendo cursos técnicos pela televisão. "Os alunos estão se recusando a ver TV nas escolas. Dizem, obviamente, que a televisão está em casa. Os estudantes já entenderam que eles perderam a escola", exemplifica.
O professor abordou a existência de uma massa de jovens que não está no mundo do trabalho e também não está estudando. Segundo ele, os defendores do atual texto da reforma do Ensino Médio colocaram uma falsa causa para um fato social real complexo e multicausal. De acordo com Fernando Cássio, a pobreza é a principal força que vai retirar esse jovem da escola. Entretanto, criou-se a ideia do desencanto pela escola, "uma espécie de uma fábula para dizer que essa escola é culpada por esse desencanto, que é chata, tem muita disciplina, é antiquada e desconectada do mundo", avalia. Desse modo, a responsabilidade dos problemas fica a cargo da escola e dos profissionais da educação, e não dos problemas estruturais como a pobreza e as condições de trabalho dos profissionais da educação, por exemplo.
Fernando Cássio avalia que o novo Ensino Médio é apenas uma reforma de currículo. Para o professor, ela não é uma resolução, por exemplo, da expansão de rede física e também não é uma reforma que tem relação com mudanças significativas nas condições de trabalho docente, salário, carreira e com a melhoria da permanência dos estudantes da escola. Ainda segundo o pesquisador, por ser uma reforma de currículo, o novo Ensino Médio vai depositar nas disciplinas e no conhecimento a culpa por todos os males, eliminando as matérias emancipadoras. "A desonestidade já aparece na própria ideia da supressão da disciplina. É algo absolutamente falso", conclui.
Confira a live completa a seguir:


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