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Educação

Troca de experiências aproxima educadores de diferentes países da América Latina

Grupos de trabalho realizados em 5 de novembro, em Bogotá, discutiram práticas pedagógicas, luta antirracista, juventude docente e defesa da educação pública

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 Crédito: Thayse Ribeiro / CPERS

Educadores de diferentes países trocaram experiências sobre o cotidiano das escolas públicas durante a programação da tarde do VIII Encontro Regional do Movimento Pedagógico Latino-Americano (MPL) Stella Maldonado, em 5 de novembro, em Bogotá. Divididos em grupos de trabalho, os participantes apresentaram práticas desenvolvidas em seus territórios e discutiram desafios comuns à educação na região.

As atividades foram organizadas em cinco grupos: Docentes Indígenas, Docentes Afrodescendentes, Juventude Docente, Educação Pública como Direito Social e Campanha pela Educação Pública na América Latina.

Entre os assuntos relatados pelos participantes estavam o combate ao racismo, o acolhimento de jovens professores e estudantes, a valorização dos profissionais da educação e a defesa de recursos públicos para as escolas. Também entraram na discussão os ataques ao trabalho docente, o adoecimento mental da categoria e o avanço das privatizações.

Campanha Pela Educação Pública

No grupo Campanha pela Educação Pública na América Latina, trabalhadores da educação discutiram problemas enfrentados pela categoria em diferentes países.

“Discutimos o assédio moral que a docência vive hoje, os ataques aos profissionais e a luta por recursos públicos para a escola pública. Também apontamos o adoecimento mental da categoria.. Outra questão importante foi a defesa da escola laica”, afirmou a secretária de Relações Internacionais da CNTE, Marília Cibelli. 

Para a secretária educacional da APP-Sindicato, Cida Reis, a união entre as organizações da região é necessária para enfrentar a precarização do trabalho docente e as tentativas de privatização da educação.

“A importância desse grupo está principalmente na unidade da América Latina em defesa da escola pública. Os dois elementos centrais são a valorização docente e os recursos para a educação”, disse. Cida também apresentou aspectos da experiência brasileira, como a defesa dos concursos públicos para a contratação de professores. 

Luta antirracista

No grupo Docentes Afrodescendentes, os participantes conheceram iniciativas de combate ao racismo desenvolvidas em diferentes países e discutiram como essas experiências podem chegar às escolas, às organizações sindicais e à sociedade. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Izael Ribeiro, destacou a possibilidade de incorporar ao trabalho realizado no Brasil aprendizados compartilhados por educadores de outros países.

“Foi um importante momento de troca de saberes sobre as iniciativas que ocorrem em outros países da América Latina. Podemos observar essas experiências e levar o que há de melhor para as ações que desenvolvemos no Brasil. É um trabalho de unidade para o fortalecimento da luta antirracista”, afirmou.

Secretária de Imprensa e Divulgação da CNTE, Iêda Leal relacionou os debates do encontro às mobilizações realizadas no Brasil durante o mês da Consciência Negra.

“Novembro é o mês da reafirmação do nosso grande projeto de transformar o Brasil em um grande território antirracista”, declarou. Segundo Iêda, a troca entre representantes de diferentes países ajuda a ampliar o alcance dessa mobilização. “Este momento de troca é fundamental. Nós queremos que a luta antirracista chegue à população”, completou.

Juventude Docente

O grupo Juventude Docente reuniu experiências voltadas tanto aos jovens trabalhadores da educação quanto aos estudantes das redes públicas. As discussões abordaram práticas de acolhimento, metodologias de ensino e estratégias para aproximar novos profissionais das entidades sindicais.

A coordenadora do Coletivo Estadual de Juventude da APEOESP, Isabela Gisse Rainho, apresentou a experiência da CNTE com jovens docentes no Brasil. Ela também compartilhou a cartilha “Como acolher e integrar novos trabalhadores da educação”, que reúne estratégias de mobilização, sindicalização e defesa de direitos.

O secretário de Comunicação da APP-Sindicato, Daniel Popilnicki, chamou a atenção para as experiências pedagógicas apresentadas por educadores de vários países.

“Companheiros e companheiras de toda a América Latina trouxeram experiências sobre como acolher os estudantes e melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Na região, temos inúmeras culturas, métodos e metodologias diferentes, principalmente na rede pública, que é o nosso foco”, disse.

Para Daniel, conhecer práticas desenvolvidas em diferentes realidades contribui para o trabalho de quem está diariamente nas escolas. “Essa troca de experiências e culturas é muito enriquecedora para nós, trabalhadores e trabalhadoras da educação que estamos efetivamente dentro da sala de aula”, concluiu.

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