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Ideb

Resultados do Ideb 2025 crescem, mas não garantem qualidade nas salas de aula

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 FOTO:  José Cruz/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) divulgou na quarta-feira (5) os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o ano de 2025. Os números apontam para uma melhoria na média nacional em todas as etapas de ensino.

A metodologia do Ideb combina os dados de aprovação escolar coletados pelo Censo Escolar e das médias de desempenho obtidas no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Ele varia de 0 a 10 e considera indicadores de fluxo escolar e de desempenho dos estudantes.

Resultados

A média nacional soma dados das redes pública (municipal e estadual) com a privada. No ensino fundamental, os anos iniciais (do 1º ao 5º ano) chegaram a 6,3. Do 6º ao 9º ano, a média foi 5,3. O ensino médio alcançou a nota 4,5.

Esses resultados são os mais altos já registrados desde a criação do indicador, em 2005,  mas as metas estabelecidas em 2021 para os anos finais do ensino fundamental e ensino médio — 5,5 e 5,2, respectivamente — não foram atingidas. Os números obtidos na avaliação anterior, em 2023, são: 6 nos anos iniciais do ensino fundamental, 5 nos anos finais e 4,3 no ensino médio. 

Se considerarmos apenas a rede pública, os dados também apresentaram um crescimento. O ensino fundamental alcançou as notas 6,1 nos anos iniciais e 5.0 nos anos finais, comparadas aos 5,7 e 4,7 de 2023. A nota do ensino médio fechou em 4,3 nesta edição, enquanto a anterior registrou 4,1.

Confira os resultados no sistema de dados do Inep

Dedicação dos/as profissionais da educação

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) reconhece a importância do Ideb enquanto métrica de acompanhamento da educação básica e ferramenta norteadora de políticas públicas. No entanto, o índice precisa ser aprimorado para melhor avaliar as condições das escolas brasileiras. 

“Comunidades mais vulneráveis têm mais dificuldades no desempenho dos estudantes, e isso precisa ser considerado”, disse o secretário-geral da CNTE, Fábio Moraes. Ele acredita que a oscilação positiva nos entes federados é consequência da dedicação dos profissionais da educação.

“Houve crescimento do IDEB porque a escola pública é boa, apesar de muitos gestores, ataques, projetos autoritários e da plataformização que tem precarizado as instituições. São lugares que têm a professora e o professor, o funcionário e a funcionária, os/as supervisores/as e diretores/as que se empenham para melhorar a qualidade da educação diante de todos esses problemas.”

Análise por estados

O recorte por estados demonstra uma maior disparidade nos resultados. A maioria das unidades da federação não conseguiram alcançar a média nacional nas diferentes etapas de ensino. 

Nos anos iniciais, por exemplo, 14 das 27 unidades da federação alcançaram notas abaixo de 6,3. Acre, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Piauí obtiveram resultados na média. O Paraná obteve a nota mais alta (7) e o Amapá a mais baixa (5,5).

Nos anos finais, a média é 5,3. Nove UFs obtiveram notas maiores e 18 atingiram notas menores que 5,3. Alagoas foi o único estado que ficou na média. O Paraná obteve a nota mais alta (5,9) e Roraima a mais baixa (4,4).

O ensino médio apresentou a média mais baixa das etapas da educação básica, de 4,5. Ceará e Santa Catarina obtiveram esse mesmo resultado. 16 unidades da federação registraram notas menores. O Paraná obteve a nota mais alta (5,1), enquanto Amapá e Roraima empataram no menor resultado (3,8).

Escola pública

Na escola pública, o recorte por estados não apresenta uma diferença tão grande nos resultados que compilam todas as redes. As unidades federativas aumentaram as notas nas diferentes etapas em comparação com o Ideb 2023 na maioria dos casos. 

Só cinco UFs são exceção:

  • Tocantins e Amapá apresentaram estabilidade no ensino médio em relação a 2023 (4,1 e 3,7, respectivamente).
  • Rondônia obteve a mesma nota dois Idebs seguidos, tanto no ensino médio quanto nos anos finais do ensino fundamental (4 e 4,7, respectivamente).
  • O Distrito Federal foi a única UF que registrou queda no ensino médio, de 3,7 em 2023 para 3,6 em 2025.

Confira os resultados por UF na escola pública:

ACRE: Anos iniciais - 6,2; Anos finais - 4,8; Ensino médio - 4;

ALAGOAS: Anos iniciais - 6,3; Anos finais - 5,1; Ensino médio - 4,2;

AMAPÁ: Anos iniciais - 5,4; Anos finais - 4,4; Ensino médio - 3,7;

AMAZONAS: Anos iniciais - 5,9; Anos finais - 4,8; Ensino médio - 3,7;

BAHIA: Anos iniciais - 5,4; Anos finais - 4,2; Ensino médio - 3,8;

CEARÁ: Anos iniciais - 6,8; Anos finais - 5,6; Ensino médio - 4,5;

DISTRITO FEDERAL: Anos iniciais - 6; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 3,6;

ESPÍRITO SANTO: Anos iniciais - 6,4; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,9;

GOIÁS: Anos iniciais - 6,4; Anos finais - 5,6; Ensino médio - 4,9;

MARANHÃO: Anos iniciais - 5,5; Anos finais - 4,5; Ensino médio - 3,8;

MATO GROSSO: Anos iniciais - 6,1; Anos finais - 4,9; Ensino médio - 4,3;

MATO GROSSO DO SUL: Anos iniciais - 5,7; Anos finais - 4,8; Ensino médio - 4,2;

MINAS GERAIS: Anos iniciais - 6,4; Anos finais - 5,3; Ensino médio - 4,5;

PARÁ: Anos iniciais - 5,5; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4,4;

PARAÍBA: Anos iniciais - 5,9; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4,1;

PARANÁ: Anos iniciais - 6,9; Anos finais - 5,8; Ensino médio - 5,1;

PERNAMBUCO: Anos iniciais - 5,8; Anos finais - 4,9; Ensino médio - 4,7;

PIAUÍ: Anos iniciais - 6,1; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,9;

RIO DE JANEIRO: Anos iniciais - 5,8; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 3,7;

RIO GRANDE DO NORTE: Anos iniciais - 5,2; Anos finais - 4,2; Ensino médio - 3,9;

RIO GRANDE DO SUL: Anos iniciais - 6,1; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,7;

RONDÔNIA: Anos iniciais - 6; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4;

RORAIMA: Anos iniciais - 5,7; Anos finais - 4,2; Ensino médio - 3,7;

SANTA CATARINA: Anos iniciais - 6,5; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,3;

SÃO PAULO: Anos iniciais - 6,5; Anos finais - 5,2; Ensino médio - 4,3;

SERGIPE: Anos iniciais - 5,4; Anos finais - 4,4; Ensino médio - 4,1;

TOCANTINS: Anos iniciais - 5,8; Anos finais - 4,7; Ensino médio - 4,1;

Investimento é necessário

Para a diretora executiva adjunta Odisseia Pinto de Carvalho, que assumiu as atividades da Secretaria de Assuntos Educacionais da CNTE, é preciso ter cautela com os dados do Ideb, porque eles não refletem a realidade de precarização nas escolas e a desvalorização dos profissionais da educação.

“O debate sobre a qualidade da educação pública não pode ser reduzido a um número. Uma escola de qualidade se constrói com investimento, valorização dos profissionais, condições dignas de trabalho, inclusão efetiva, segurança e garantia do direito à aprendizagem”, disse Odisseia. 

Ela entende que é legítimo questionar se o crescimento do IDEB representa uma melhoria na aprendizagem ou se reflete mecanismos administrativos que favorecem a elevação artificial dos indicadores.

“Esse índice é inflado por políticas que flexibilizam a reprovação, deslocando o foco da aprendizagem para o cumprimento de metas administrativas. No Rio de Janeiro, por exemplo, é permitido que estudantes avancem de série mesmo acumulando reprovações em até seis disciplinas”, explicou.

“Enquanto gestores comemoram resultados, professores e funcionários convivem com salários defasados, desvalorização profissional, sobrecarga de trabalho, falta de pessoal, escolas sem estrutura adequada e uma rotina marcada pela violência, que interrompe aulas e ameaça diariamente estudantes e trabalhadores. Soma-se a isso a suposta inclusão de estudantes com deficiência e neuro divergentes, frequentemente abandonados em turmas superlotadas e sem o atendimento educacional especializado assegurado pela legislação.”

FONTE: CNTE / Inep

 

 

 

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