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Movimento Sindical

Em ato da Juventude, CNTE debate negacionismo, precarização e engajamento sindical

Evento em alusão ao Mês da Juventude contou com o lançamento de guia voltado para sindicatos e palestras sobre combate às fake news, fim da escala 6x1 e valorização da educação pública

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 Foto: CNTE

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou, na quarta-feira (26), um ato público virtual, organizado pelo Coletivo de Juventude. O evento, em transmissão ao vivo, teve como tema a conjuntura política do Brasil no contexto da luta da classe trabalhadora e no combate ao negacionismo e às fake news. 

O ato antecedeu a segunda aula do Curso Nacional de Formação da Juventude Trabalhadora da Educação, como programação especial em alusão ao Mês da Juventude.  A atividade teve como palestrantes convidadas a presidenta do Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), Nádia Pereira, e a secretária de Finanças licenciada da Confederação, Rosilene Corrêa.

Além das palestras, o ato foi o momento de lançamento da “Cartilha Como Acolher e Integrar Novos/as Trabalhadores/as da Educação”, documento que orienta sindicatos sobre como atrair e engajar jovens trabalhadores/as da educação na militância e filiação sindical. O manual foi elaborado pela CNTE em parceria com os coletivos de juventude dos sindicatos filiados.

“A cartilha pode ser usada na recepção dos/as jovens trabalhadores/as da educação e nela a gente responde as perguntas mais frequentes que os sindicatos têm: Como atrair os jovens para a militância sindical? Como trabalhar a questão da juventude dentro do sindicato?”, disse o coordenador do Coletivo da CNTE, Luiz Felipe Krehan. 

Engajamento

“A parte mais rica dessa cartilha é mostrar o que alguns sindicatos estão fazendo de maneira bem sucedida e que ajudam a atrair os jovens à participação sindical. O que entendemos é que não se discute só ‘juventude’ na hora que você está trabalhando com jovens trabalhadores/as em educação, os sindicatos têm que identificar quais são as pautas da categoria que são mais sensíveis à juventude”, comentou o secretário.

Acesse a cartilha neste link.

Na prática, isso significa discutir a reivindicação de concurso público, campanhas de convocação para quem passou no concurso, mas ainda não foi convocado, e probatório. “Todos esses segmentos são, em sua maioria, ou pelo menos em grande parte, jovens trabalhadores em educação. Quando você trabalha com esses temas, você está trabalhando com juventude.”

Para Luiz, a liderança jovem também é um aspecto essencial: “Quando os jovens do sindicato tocam essas pautas e falam de jovem para jovem, aí realmente você tem um aumento na filiação e participação. Quem está sendo beneficiado/a pela política do sindicato, olha para o jovem sindicalista e vê ali um caminho, não só contemplado pela pauta que está sendo discutida,  mas vê na liderança jovem já estabelecida uma possibilidade de vida, de ser trabalhador/a de educação e militante sindical”.

Trabalho juvenil

Nádia iniciou o debate com uma análise do cenário laboral atual, no qual jovens encaram a precarização das condições de trabalho, seja pela crescente pejotização, serviços por plataformas ou informalidade.

“São milhões de trabalhadores/as enfrentando baixos salários, jornadas exaustivas com metas quase inalcançáveis na plataformização. Tem também a questão da Previdência, aposentar virou algo impensável para muitos e muitos jovens”, disse Nádia.

Nesse contexto, a luta pelo fim da escala 6x1 surge como um movimento transformador: “Ela pode representar, finalmente, uma resposta a séculos de trabalhadores negros e negras que nunca puderam usar do descanso e aproveitar do lazer. Ela pode representar um avanço humano no momento de tantos avanços da tecnologia, da inteligência artificial”. 

Desesperança

A situação da juventude é preocupante porque a geração cresceu com a esperança que a formação acadêmica garantiria uma vida melhor e bons empregos, mas teve expectativas frustradas pelo desenrolar político econômico da última década. Esse ambiente fortalece a disputa por diferentes projetos de país.

“É nesse lugar de não realidade dos sonhos que nasce o extremismo, que se fertiliza o fascismo.Qualquer discurso que dê outra perspectiva para as pessoas é bem recebido uma vez que apresenta respostas fáceis, mas não necessariamente vão dar certo porque os problemas são complexos”, apontou a presidenta do CONJUVE.

Combater o extremismo exige, além da resistência à desinformação, a oferta de esperança para a população, de modo que a confiabilidade cresça.

“As pessoas precisam confiar na reconstrução do nosso país, na ciência, nas instituições, na democracia e nas informações que chegam para elas. Tem que acreditar na escola e que a educação é um instrumento que transforma, inclusive a política”.

O movimento social, especialmente com a participação de jovens engajados/as, deve ter o compromisso de alcançar a juventude dentro do espaço de convivência dela: “precisamos nos apresentar nas redes, na internet, para mostrar que a confiança no processo, na educação e na democracia precisam voltar a existir”.

Educação como formadora cidadã

Rosilene argumenta que a educação pode agir como formação de saber e consciência. Por esse motivo as escolas, universidades e o movimento estudantil são foco em tentativas de controle.

A precarização das condições de trabalho dos profissionais da escola pública enfraquece o ensino. O número elevado de contratações temporárias e terceirizadas, falta de infraestrutura e remuneração insuficiente afastam a categoria da organização coletiva e da confiabilidade no seu papel enquanto formadora de cidadãos. Isso resulta também na descrença de jovens na escolha da carreira na educação.

 

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