Durante o Encontro de Elaboração do Plano Estadual de Educação do Piauí (PEE 2026–2036), no dia 4 de agosto de 2026, ficou evidente a contradição entre o discurso oficial de “escuta, diálogo e participação” e a prática metodológica adotada. Professores e representantes da sociedade civil denunciaram a ausência de espaço real para debate, sendo limitados a contribuições via QR Code ou formulários, em flagrante desrespeito ao princípio da gestão democrática da educação.
O episódio em que uma professora foi interrompida ao questionar os dados apresentados não é fato isolado, mas expressão de um processo conduzido de forma apressada, tecnocrática e pouco transparente. As manifestações de representantes do Fórum Estadual de Educação e da ADCESPI reforçaram as críticas relativas a falta de tempo, falta de escuta, falta dos sujeitos que vivem a realidade escolar, professores, estudantes e comunidades.
A metodologia restritiva adotada contraria a Constituição Federal, a LDB e o Plano Nacional de Educação, que estabelecem a participação social como elemento estruturante da legitimidade das políticas educacionais. Portanto, um Plano Estadual de Educação não pode ser construído como mera formalidade burocrática, mas como instrumento coletivo, plural e democrático, capaz de refletir a diversidade de vozes e experiências da educação piauiense.
O SINTE-PI reafirma seu repúdio à condução do Encontro e exige que o processo de elaboração do PEE 2026–2036 seja pautado pela participação efetiva, democrática e representativa, garantindo que o futuro da educação no Piauí seja construído com quem vive e defende a escola pública todos os dias.
Educação não se faz com silêncio imposto, mas com diálogo, escuta e participação popular.
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