No último dia 17, o
instituto Ibope divulgou os resultados de uma pesquisa qualitativa
realizada com eleitores de todo Brasil, em que a valorização do
magistério aparece como principal política educacional a ser efetivada
pelo Estado brasileiro. 46% da população reivindicam essa medida. Em
seguida aparece a melhoria dos equipamentos das escolas já existentes
(29%), a criação de escolas profissionalizantes (28%), a segurança nas
escolas (28%), a ampliação das redes escolares públicas (26%) e a
melhoria da capacitação dos trabalhadores em educação (26%).
Desde 1999, quando a CNTE realizou a primeira
pesquisa Retrato da Escola, essas constatações já eram verificadas. À
época, mais da metade dos entrevistados consideravam muito baixos os
salários dos profissionais da educação e reivindicavam melhoria na
qualidade do ensino público, desde a infraestrutura até a formação
continuada dos trabalhadores que atuam nas redes escolares. E não temos
dúvida de que a conjunção de anseios da população com as pautas de lutas
dos trabalhadores em educação – num momento político em que as
políticas sociais ganharam maior destaque no país – foi decisiva para a
aprovação do piso salarial profissional. Contudo, na prática, a luta de
classes em nossa sociedade, sobretudo na esfera política, tem impedido
que os preceitos da Lei 11.738 (piso do magistério) sejam observados em
benefício da valorização de nossos educadores, com carreiras devidamente
estruturadas e dignas para o bom desempenho da profissão.
A
educação, cada vez mais, ganha relevância no processo de desenvolvimento
do país. Muitas áreas estratégicas já se veem carentes de profissionais
qualificados, a exemplo da engenharia, da computação, dos serviços
médicos e da própria educação – não se esquecendo que faltam professores
em diversas áreas de conhecimento, como física, química, matemática,
biologia e línguas estrangeiras.
Neste sentido, esperamos que os
anseios da sociedade e de nós, trabalhadores e trabalhadoras da
educação, se confluam novamente na perspectiva de colocar,
definitivamente, a educação no centro das atenções de nosso país. E a
construção do Sistema Nacional Articulado de Educação é o primeiro passo
rumo a essa trajetória. Erradicar o analfabetismo; garantir acesso,
permanência e aprendizado a todos/as os/as estudantes; qualificar a
escola pública e valorizar seus profissionais são algumas das dívidas
que precisam ser quitadas, imediatamente. A partir daí, é preciso
garantir investimentos que atendam aos requisitos do desenvolvimento
sustentável (econômico, social, cultural e ambiental).
Autor/Fonte: Ascom SINTE-PI