Um grupo de professores, alunos e servidores
da Escola Estadual Zacarias de Góis (Liceu Piauiense) assinaram uma
nota de repúdio direcionada à Secretaria Estadual de Educação e Cultura
(Seduc), por ela ter realizado de forma arbitrária a transferência de
professores lotados na referida unidade para instituições de ensino em
tempo integral.
A nota foi assinada por cerca de 600 pessoas,
entre alunos, professores e servidores. Além da própria Seduc, o
documento foi encaminhado ao Ministério Público e à Justiça.
Os
professores Elvércio Paraguai e Aurilene Barbosa, ambos lotados no
Liceu, informam que em momento algum os profissionais deslocados
tiveram a opção de escolher se permaneciam no colégio ou se aceitavam
ministrar aulas em outra escola, gerando uma grande insatisfação. Além
disso, juntamente com parte do corpo docente, a Seduc também encaminhou
muitos alunos para outras instituições.
O número de
professores, que antes era de aproximadamente 80, agora não chega a 50.
E a quantidade de alunos que hoje estudam no Liceu gira em torno de um
terço da sua capacidade máxima, que é de até 3 mil pessoas. "Quando os
pais de jovens chegam à escola para matricular seus filhos são
informados de que não há vagas. No entando, o que a gente observa é o
contrário. O Liceu se transformou numa escola fantasma, com
pouquíssimos alunos", argumenta a professora Aurilene, acrescentando
que a carência de professores já está prejudicando o ano letivo na
tradicional escola do Centro da capital.
Conforme a denúncia, o
subaproveitamento do Liceu visa acelerar o projeto de implantação das
escolas em tempo integral. Isto, de acordo com os professores, estaria
prejudicando a qualidade do ensino na rede estadual, uma vez que boa
parte dessas unidades ainda não dispõem de uma estrutura adequada para
manter estudantes por dois turnos. "A maioria delas não possui
refeitórios, áreas de lazer, locais para descanso, armários, enfim, não
dá aos alunos as condições imprescindíveis para a permanência por tempo
integral no ambiente de estudo", destaca o professor Elvércio.
"Nós
somos a favor da escola em tempo integral. Entretanto, não da forma
como está sendo implantada aqui no Piauí. A transferência foi feita a
critério do secretário Antônio José Medeiros, sem levar em conta o
nosso Plano de Cargos e Salários e o Estatuto do Servidor", complementa
Aurilene.
De posse desses indícios de ilegalidade, após ser
acionada pelo Ministério Público do Estado na pessoa do promotor de
Justiça Fernando Santos, a Justiça decidiu anular a medida da Seduc,
classificada pelos professores como "ditatorial".
Nesta
quinta-feira, dia 11, o juiz Oton Mário José Lustosa Torres expediu uma
liminar determinando que os professores transferidos tenham a opção de
retornar ao Liceu Piauiense, caso estejam interessados. A decisão será
publicada nesta sexta-feira.
Centros de Ensino em Tempo Integral na mira do MP
Desde
o ano passado, o Ministério Público Estadual investiga se as unidades
de ensino em tempo integral oferecem uma estrutura minimamente apta a
receber estudantes durante um período prolongado. O que o promotor
Fernando Santos apurou até agora é que apenas uma das escolas deste
projeto enquadra-se fielmente na proposta apresentada à sociedade.
Trata-se do Centro de Ensino Integral João Henrique Sousa, localizado
no Conjunto Morada Nova.
Em
tempo, vale ressaltar que a estrutura precária é outro grave problema
observado no prédio onde funciona o Liceu Piauiense, oferecendo,
inclusive, riscos à vida dos estudantes e trabalhadores, segundo
depoimento dos próprios.
Os docentes relatam que a pintura
recente induz a população a pensar que o local está bem conservado.
Contudo, a escola ainda não dispõe de escadas de emergência e possui
muitos fios da rede elétrica expostos, sem qualquer proteção. Ademais,
algumas partes do teto estão sendo consumidas por cupins. "Se acontecer
um incêndio no Liceu será uma calamidade pública", adverte a professora
Aurilene.
Autor/Fonte: Portal O Dia