"É
uma grande data para a classe trabalhadora. Agora, é trabalhar para garantir
que o projeto seja aprovado no plenário da Câmara e do Senado. Vai ser uma luta
intensa, mas acho que hoje podemos comemorar um passo importante", afirmou
hoje, dia 30, o presidente da CUT, Artur Henrique, após a aprovação unânime, na
Comissão Especial da Câmara dos Deputados, do relatório favorável à redução da
jornada de trabalho sem redução de salários.
A
audiência em que foi debatido e aprovado o relatório lotou de lideranças e
militantes sindicais o auditório Nereu Ramos, na Câmara. O público excedeu
bastante a lotação do espaço, que tem 600 cadeiras. Em todos os corredores havia
militantes em pé.
Além
de todos os deputados que compõe a comissão, o auditório recebeu a visita de
vários parlamentares, de todos os partidos, que manifestaram apoio ao projeto
que reduzirá a jornada semanal de trabalho no Brasil das atuais 44 horas para
40 horas.
O
relatório aprovado hoje, elaborado pelo ex-presidente da CUT e hoje deputado
federal Vicentinho (PT-SP), recomenda que a Câmara aprove a Proposta de Emenda
Constitucional 231 A/95, de autoria do então deputado Inácio Arruda, hoje
senador pelo PCdoB.
A
Comissão acredita que projeto pode ir ao grande plenário em agosto.
Além
de estabelecer a redução da jornada legal no Brasil, a PEC que agora vai a
plenário também cria uma nova remuneração para as horas extras. Cada hora extra
deverá ser acrescida de 75% sobre a hora normal - hoje o acréscimo é de 50%.
"Dessa forma, criamos um complemento necessário para que a redução da
jornada surta o efeito que queremos, que é criar mais empregos. A hora extra
mais cara vai desestimular seu uso habitual", justificou Vicentinho. O
deputado informou ainda, durante a audiência, que há 35 projetos diferentes
sobre redução da jornada em tramitação na Câmara, e que a PEC 231 A/95 é, entre
as propostas que pretendem beneficiar os trabalhadores, a que mais bem se
encaixa com os preceitos constitucionais e, portanto, tem as maiores chances de
aprovação.
Por
iniciativa do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), também membro da Comissão
Especial, foi elaborado um requerimento, com a assinatura dos demais
integrantes, dirigido ao Câmara, Michel Temer, para que o projeto siga
rapidamente para o plenário da Casa, onde precisará ser aprovado por no mínimo
308 deputados. O deputado tucano chegou a declarar: "Estou no meu segundo
mandato, e participei aqui de várias comissões, de investigação e outras mais.
Mas essa foi a primeira vez que eu me senti de fato perto da população. Me
senti pela primeira vez efetivamente útil à sociedade como parlamentar".
O
deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP), lembrou que a batalha política ainda está em seu início. Dirigindo-se
aos dirigentes na platéia, convocou: "Comecem a mobilização desde já nas
suas bases e categorias. No dia em que esse projeto for a voto no plenário,
temos de fazer uma mobilização em todas as partes do País, com paralisações
inclusive, para pressionar os deputados a aprovarem. Temos de mostrar quem é
favor do povo e quem é contra, de olho em 2010", afirmou o deputado,
também integrante da comissão.
Falando
na condição de convidado, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), autor da PEC,
afirmou que a aprovação do relatório hoje pela Comissão Especial está em
"sintonia com a contemporaneidade. Divide um pouco dos avanços do
desenvolvimento tecnológico com os trabalhadores", afirmou. "Só a
unidade e a mobilização do movimento sindical é que permitiram essa decisão
histórica de hoje e vai garantir a aprovação pela Câmara e, depois, pelo
Senado".
A reivindicação é bandeira da Central desde sua fundação em 1983 e
tem como objetivo gerar mais empregos com carteira assinada. Segundo cálculos
do Dieese, a medida pode gerar 2,2 milhões de novos postos de trabalho.
No ano passado, as centrais coletaram 1,5 milhão de assinaturas em
todo o País, em defesa da redução da jornada, que foram entregues ao Congresso
Nacional.