A nova matriz curricular da rede estadual de ensino
de São Paulo imposta pela Secretaria Estadual da Educação expõe de maneira
clara a concepção minimalista e mercadológica de educação da secretária Maria
Helena Guimarães de Castro.
É praxe neste governo definir medidas educacionais de cima para baixo, e,
agora, procede da mesma forma em relação à matriz curricular, sem nenhuma
consulta à comunidade escolar. Nem mesmo os conselhos de escola puderam opinar,
restando aos profissionais da educação simplesmente cumpri-la, sem que suas
vivências, experiência e opiniões sejam levadas em conta.
É importante frisar que, de acordo com o artigo 13,
inciso I da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), cabe aos professores “participar
da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino”. E o local
por excelência para esta elaboração é o conselho de escola.
A proposta curricular da Secretaria da Educação reflete o tipo de cidadão que
pretende formar. Ela é simplista e se apóia em disciplinas centradas em
habilidades, que só reproduzem conhecimento, e não na formação do aluno com
base na reflexão e no incentivo à elaboração do conhecimento. A proposta também
não se articula com o atual contexto econômico, social e político e não
corresponde às necessidades, inclusive materiais, de um ensino de qualidade.
Sendo obrigada a cumprir a legislação federal que
determina a obrigatoriedade das disciplinas Filosofia e Sociologia no ensino
médio, a secretária da Educação reduz a carga horária de História e Geografia.
Ela assim procede porque a nova lei fere sua opção política, que era a de não
adotar estas disciplinas quando a obrigatoriedade era definida em Resolução do
Conselho Nacional de Educação. Agora, porém, trata-se de lei aprovada pelo
Congresso Nacional. Ela faz politicagem com uma questão séria, numa queda de
braço com o governo federal. Observem que a S.E.E. é contra tudo que vem do
governo federal. No caso de Educação Física, a secretária desrespeita a legislação,
ao retirar a disciplina das terceiras séries do ensino médio.
Para cumprir a obrigatoriedade do ensino de
Filosofia e Sociologia, a S.E.E deveria ampliar o tempo de permanência do aluno
na escola, com qualidade, uma reivindicação histórica dos educadores.Também
deveria estudar outras formas de contemplar todas as disciplinas, através da
reorganização do tempo escolar. Poderia, por exemplo, flexibilizar o tempo de
duração de cada aula, de acordo com a natureza de cada disciplina, no contexto
de um projeto político-pedagógico debatido e definido no âmbito do conselho de
escola, como determina a LDB.
Questões como as que apresentamos neste breve texto já justificariam uma nova
postura da secretária da Educação no tratamento da questão curricular, com a
promoção do diálogo e do debate com a comunidade escolar. Nunca é tarde para
começar.
Maria Izabel Azevedo Noronha
presidente da APEOESP